Como usar Design Thinking para dar aulas melhores


Nesse artigo vou te explicar sobre a abordagem que tem feito sucesso em todo o mundo, tanto que vem sendo apropriada para diversas áreas, como a governamental, business e a que falaremos aqui, a educação. O que você vai aprender neste artigo:

  • Definição de design thinking;
  • A história do design thinking e o por quê do seu nome;
  • Exemplo de empresas que utilizam o design thinking;
  • Uso do design thinking nas aulas;
  • Material gratuito para ser baixado. 


O que é design thinking?


Design thinking é uma abordagem dinâmica, criativa e colaborativa para a resolução de problemas em 5 etapas (entrevistas com os interessados, imersão nos problemas, prototipagem, feedbacks e aprimoramento). Ela é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto. 

Por ser um método prático-colaborativo seu sucesso depende muito da participação e entrega dos participantes, alguns especialistas dizem que eles devem, verdadeiramente, querer chegar a uma solução. 

No livro Design Thinking Brasil, os autores Tennyson Pinheiro e Luis Alt ressaltam que o mesmo deve ser considerado como uma “abordagem” e não como uma metodologia. E explicam a razão: “quando se fala em metodologia, logo as pessoas criam a expectativa de que vão aprender um passo a passo, uma receita de bolo. E não é bem esse o caso”.


Um pouquinho de história…


Quando o design thinking surgiu? Quem criou e por que esse nome?

A noção de design como uma “forma de pensar” teve sua origem em 1969, no livro The Science of the Artificial, de Herbert A. Simon. 

Em 2009, Tim Brown lançou o livro Design Thinking e compartilhou com o mundo o caminho como tornou a Ideo uma das dez empresas mais inovadoras do mundo, onde ele atualmente é CEO. O livro vendeu milhares de cópias pelo mundo e também foi lançado aqui no Brasil. 

Você pode até não conhecer a Ideo (empresa de design de produtos americana), mas é impossível não conhecer empresas como Nike, Sony e Apple – algumas das empresas que utilizam o design thinking.

Origem do termo

Design thinking não tem tradução para o português, mas se traduzíssemos livremente ficaria pensamento do design, ou pensar como designer. Isso se deve ao fato de que, segundo os especialistas, a forma de pensar de um designer é fora do convencional, criativa.  

Segundo o livro “Design Thinking – Inovação em Negócios”, pensar como designer é abduzir. O design, para além da estética de produtos ou serviços, enquanto tipo de conhecimento, tem como objetivo a promoção do bem-estar na vida das pessoas – esse é o ponto, o foco em resolução de problemas a partir da percepção das pessoas que sofrem aquela “dor”.


Etapas do design thinking


O processo todo pode variar mas é comumente formado por 5 etapas, os nomes delas são os mais variados e vai depender de quem aplica a abordagem. Porém, independente do nome dado, elas funcionam nos mesmos moldes. Aqui chamaremos de: descoberta, interpretação, ideação, experimentação e evolução.



#1 Descoberta: identificar seu desafio. Eu tenho um desafio. Como posso abordá-lo?

Você, professor, é responsável por apresentar o problema aos alunos. Pode ser um problema sobre algum conteúdo curricular, ou um problema intrínseco aos alunos (sua formação ou o formato das aulas, por exemplo), como também alguma colaboração para resolver um problema do ambiente da sala de aula ou da comunidade onde a universidade está inserida. 

É onde acontece a imersão nos problemas, oportunidades e realidades. O ideal é ouvir pessoas que sejam afetadas diretamente por elas, a visão delas é muito importante. Identificado o desafio é preciso ouvir as pessoas envolvidas, isso pode ser feito através de entrevistas, por exemplo. Se o seu problema como professor é dar melhores aulas, ouvir as necessidades dos alunos, perguntar o que eles desejam, quais as expectativas em relação à disciplina, entre outras questões, com certeza vai levá-lo a melhorar a construção de aulas mais interessantes. 

#2 Interpretação: eu aprendi alguma coisa. Como posso interpretá-la?

Após a imersão é necessário que todos reflitam sobre todos os pontos que foram levantados, de modo que fique tudo claro a todos os envolvidos. Essa fase é importante para que eles desenvolvam empatia com o que foi levantado. As entrevistas em profundidade são ótimas para isso pois fazem o aluno entrar em contato direto com as pessoas que sofrem aquela dor, o que pode facilitar a empatia no processo. 

#3 Ideação: eu vejo uma oportunidade. Como posso criar?

Aqui é o momento de levantar soluções, o famoso brainstorming. Quanto mais ideias melhor, aliás, esse é um dos vários benefícios do design thinking – a quantidade de ideias geradas por diferentes pessoas, com diferentes vivências e diferentes visões, quanto mais heterogêneo maior é chance de produzirem ideias ‘fora da caixa’. 

#4 Experimentação: eu tenho uma ideia. Como posso concretizá-la?

Depois de tantas ideias é hora de colocá-las em prática – processo de prototipagem. Mas como elas são muitas, o ideal é selecionar as mais interessantes e as mais recorrentes para apresentá-las.

Você avalia os alunos durante suas apresentações e com a ajuda da turma, verifica-se a viabilidade de cada solução apresentada. É ainda mais bacana quando os alunos avaliam as ideias e contribuem com opiniões. O feedback pode incluir sugestões de possíveis melhorias.

#5 Evolução: eu experimentei algo novo. Como posso aprimorá-lo?

Os alunos devem trabalhar em cima do feedback dos usuários para refinar ainda mais a proposta de solução ao problema. 

Aqui você deve trabalhar de maneira próxima ao grupo para perceber dificuldades que eles possam vir a ter e direcioná-los da melhor forma possível, sempre estimulando as oportunidades dentro da solução. 


Aulas melhores e mais interessantes


Já vimos aqui a importância de aulas práticas para o real aprendizado dos alunos. De acordo com Betty Ray, especialista em design thinking, muitos especialistas têm observado a mudança de papel do professor, mas agora eles devem mudar de "sábio no palco" para "guia do lado". Além dessa proximidade com os alunos, o design thinking é uma grande ferramenta para a transmissão das habilidades do século 21, com ele é possível proporcionar:

  • Aulas mais divertidas;
  • Liberdade;
  • Aprimoramento da colaboração;
  • Mais confiança na criatividade;
  • É uma maneira efetiva de engajar os estudantes;
  • Soluções que me atendem como indivíduo, sala de aula, universidade ou comunidade;


Exemplos de aplicação do design thinking


Para que o conceito e a aplicação não ficassem abstratos resolvemos trazer 2 exemplo de aplicação dessa abordagem.

Michael Schurr, professor de uma escola em Nova York, perguntou aos seus alunos o que deixaria eles mais confortáveis em sala de aula. Após ouví-los e colocar em prática as soluções que eles chegaram em conjunto, o professor percebeu maior engajamento por parte deles e mais fluidez na movimentação na sala, ele associa isso ao fato de que eles participaram ativamente nessa transformação.

Já na Califórnia, o corpo docente da escola se questionou sobre como estavam preparando os alunos para o futuro. Sem saber como responder a questão, decidiram levá-la aos alunos. Coletivamente, eles idealizaram o que chamaram de “aprendizagem investigativa”, onde o aluno é visto não apenas como receptor de informação, mas como formadores de conhecimento. 

Nesse link é possível fazer o download do material traduzido de Design Thinking Para Educadores – desenvolvido pela Ideo. O material conta com o livro e o caderno de atividades. 

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