Por que a extensão demorou tanto para entrar no Lattes?


A extensão universitária faz parte do tripé que fundamenta o ensino superior no Brasil. Quem participa de um projeto de extensão tem a oportunidade de adquirir prática para o currículo, além de outros benefícios.

Para começar a entender o motivo, é importante pensar um pouco na história da Universidade em nosso país. As primeiras escolas de ensino superior foram fundadas no Brasil em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao país. Elas ofereciam apenas um curso. A primeira Universidade, como conhecemos, a oferecer cursos variados, foi fundada em 1920.

No Brasil, as atividades de extensão passaram a fazer parte da legislação em 1931 e hoje é uma das maneiras mais eficientes do universitário adquirir experiência, cultura e visão de mundo durante a faculdade.

Já o currículo Lattes foi criado em 1999, buscando padronizar os dados de grupos de pesquisas e instituições acadêmicas.

O Pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFMG, João Antônio de Paula, diz que “das três dimensões constitutivas da universidade, a extensão foi a última a surgir” seja por isso, seja por sua natureza interdisciplinar ou por outros motivos, as atividades de extensão não têm sido adequadamente compreendidas e assimiladas pelas universidades. 

E que essa dificuldade na assimilação se deve ao fato de que “a extensão universitária é o que permanente e sistematicamente convoca a universidade para o aprofundamento de seu papel como instituição comprometida com a transformação social, que aproxima a produção e a transmissão de conhecimento de seus efetivos destinatários”. Isso levanta o questionamento dessa ligação com a demora em entrar no Lattes.

Mas afinal, quando foi que a extensão entrou no Lattes?


A extensão passou a ser considerada pela plataforma do CNPq só a partir de agosto de 2012. Para Fabiana Mortimer Amaral, Diretora de Extensão do IFSC, a inserção dos projetos de extensão no Lattes traz valorização a eles.

A entrada da extensão no Lattes estimulou a criação de novos projetos por parte dos professores, e também aumentou a procura por eles, por parte dos alunos. 

Além do ganho acadêmico, pesquisadores e alunos recebem uma bolsa de produtividade que tem por finalidade estimular essa produção. 

Mas se a extensão existe há tanto tempo, por que só recentemente ela passou a integrar o Lattes?

Para compreendermos como se deu esse processo, precisamos antes entender cada parte dele. Vem comigo!

O que é a extensão universitária?


A base que rege uma instituição de ensino superior é formada pelo ensino, a pesquisa e a extensão. Cabe a extensão o importante papel social de integrar a universidade à  comunidade, promover conhecimento e desenvolvê-la cultural e economicamente. Enquanto que o ensino e a pesquisa referem-se a parte acadêmica, ligadas a própria instituição.

O que é o currículo Lattes?


O Lattes – como é conhecido – faz parte da plataforma Lattes, desenvolvida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele foi criado para facilitar o armazenamento de dados profissionais ligados à área acadêmica. Portanto, é comumente usado por instituições de ensino, professores, pesquisadores e também alunos.

Dorotea Frank Kersch, diretora adjunta de pesquisa e pós-graduação da Unisinos, diz que alunos do ensino médio e de escolas técnicas também devem ter, pois ele é exigido para conseguir bolsas como a do CNPq e para quem deseja iniciar a vida acadêmica. 

Não é preciso ter registro na plataforma para consultar um currículo e descobrir professores e alunos especializados em determinada área. O fácil acesso permite conhecer mais de profissionais e futuros profissionais, por exemplo, sabendo quais são suas especializações, seus projetos de pesquisas e publicações.  



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